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Duas décadas
O Jornal do Nativismo ingressa no ano 22 e comemora duas décadas de
circulação ininterrupta com grandeza de quem faz o trabalho com seriedade,
sem entrar na especulação do aplauso fácil. Sobrevive, sem colecionar
troféus por sua atuação, desde um momento em que o nativismo não possui
mercado de trabalho farto, nem condições de manutenção de uma publicação
específica para a cultura gaúcha.
Vê a maturidade dos movimentos nativista e tradicionalista, o surgimento
de novos estilos e a miscigenação cultural que cria uma expressão híbrida
contudo com o sotaque rio-grandense. Também acompanha o nascimento e
o amadurecimento do movimento pajadoril no Estado e suas ligações fortes
com outras regiões do planeta.
Nestes vinte anos de registro do movimento cultural, presencia o surgimento
de novos valores que hoje são considerados grandes astros. Da mesma
forma, os que chegam agora para serem os preservadores desta seara cultural.
Acompanha a carreira meteórica de uns, os passos lentos, porém firmes
de outros e também possui registros de alguns que chegam com a sinalização
de grande importância, mas não sobrevivem por falta de atributos para
configurar no seleto quadro dos que vencem na carreira. Vê também, o
surgimento e o desaparecimento de outras publicações do gênero.
O Jornal do Nativismo registra em suas milhares de páginas publicadas
nestas duas décadas, o êxito, a premiação, a vitória, a honraria e o
reconhecimento de muitos artistas, entidades e organizações sem se preocupar
com a própria imagem de vencedor. Prefere seguir a máxima de Aristóteles:
“A grandeza não consiste em receber honrarias, mas em merecê-las.”
Jornal do Nativismo surge em setembro de 1988 no momento em que a imprensa
escrita voltada para a cultura gaúcha inexiste. As revistas e jornais
surgidos antes não conseguem longevidade em sua circulação. O Jornal
Tradição que é publicado em período anterior, está há três anos fora
de circulação quando sai a edição inaugural do Jornal do Nativismo.
O ambiente é de extrema desconfiança pela dificuldade de se manter um
periódico cultural no Estado.
O Jornal do Nativismo firma-se pela credibilidade ao tratar com rigor
as datas de circulação, a seriedade de suas reportagens e pelo esforço
desmedido para sua manutenção. Neste ínterim surgem outras publicações
independentes no Rio Grande do Sul, mas não conseguem se manter por
muito tempo. Elas continuam a surgir enquanto nosso jornal está com
a sensação de dever cumprido por ter dado o devido valor que merece
a cultura gaúcha, sem preconceitos e com opiniões responsáveis.
Nesses vinte anos de atividades da Nativismo Editora e Produtora de
Cultura Ltda acontecem projetos paralelos que não ganham tanta notoriedade
como o próprio jornal.
No momento em que a discografia gaúcha encontra poucos logistas interessados
em comercializar os trabalhos regionais, entram em cena por quase uma
década as Lojas Nativismo. Abre fundamental oportunidade de distribuição
de discos independentes e de festivais, além dos demais com tiragens
através de gravadoras locais. Cumpre sua função até que o mercado se
dá conta da importância da arte poético-musical do Sul.
Atualmente a Nativismo, enquanto editora e produtora, é responsável
por projetos também marcantes como os lançamentos de CDs de pajadores
das três pátrias e cantores como Oristela Alves e José Bicca. Os livros
de pesquisa poética de Moisés Silveira de Menezes e de estudo musical
de Valdir Verona e Silvio de Oliveira são lançamentos da Nativismo.
A produção de festivais como a Guyanuba e shows como os da Expointer
2006, entre outros, não se restringem ao Rio Grande do Sul.
Diversos debates são travados nas páginas do Jornal do Nativismo nestas
duas décadas, que esclarecem ou incentivaram aprofundamentos.
Contamos, em inúmeras edições, com artigos de intelectuais brasileiros
e estrangeiros, a exemplo da Argentina, Uruguai, Chile, Espanha, Portugal
e outros. Noticiamos lançamentos da cultura regional sem preconceitos,
dando luz ao verdadeiro teor autóctone, independente da região de origem.
Talvez por isso que este periódico seja reconhecido além fronteiras
por aqueles que valorizam a leitura gaúcha sem cepticismo, tão comum
antes dele ou fora de sua órbita, nas rodas de debates superficiais
dos valores autênticos do Pago.
Mais do que noticiar o desaparecimento físico de alguns artistas, o
Jornal do Nativismo se esmera em manter viva a memória destes importantes
valores do gauchismo. Editorialmente, reconhece por imortal o artista
cuja obra vence a morte. Compreende também que o movimento cultural
do Rio Grande do Sul não pode se desligar de suas referências.
Por outro lado, procura mostrar desde sua primeira edição a interação
cultural entre o sul do Brasil e os Países do Prata. Ressalta ainda
que as demais nações americanas possuem uma ligação cultural com nosso
povo que não se pode ignorar. Com uma visão ampla, o Jornal do Nativismo
prima pelo contato com o sul da Europa, onde está parte importante da
raiz cultural do Brasil sul. Também procura manter viva a memória aborígine,
razão maior da cultura autóctone.
Registrar os êxito de muitas carreiras de sucesso parece ser o objetivo
principal do Jornal do Nativismo, contudo apontar a crítica responsável
e buscar soluções para as lacunas culturais também são expedientes de
um veículo cuja temática central é a preservação dos valores mais caros,
os nativos.
O veículo que ora completa vinte anos é responsável por algumas campanhas
vencedoras. Aliás, a principal vitória é sua longevidade. Contribui
sensivelmente nessas duas décadas para o bom andamento das engrenagens
culturais. É porta-voz dos mais diversos debates sobre a cultura e seus
incentivos, sua legitimidade e os contra-sensos algumas vezes cometidos
em nome dela. Veicula anseios populares que vem a se tornar realidade,
a exemplo do feriado do dia 20 de setembro. O Jornal do Nativismo publica
durante três anos em sua capa, uma chamada pedindo o feriado na data
magna do Rio Grande do Sul. Não se importa se na hora da consolidação
do feriado do dia 20, tenha sido ignorado pelas “autoridades” culturais
e políticas. Está acima destas questiúnculas. Depois por mais um longo
período pede por um desfile farroupilha mais cultural, outra realidade
hoje latente em todo o Estado. Apoia o jovem movimento pajadoril e consegue
dar difusão à arte dos pajadores que criam laços profundos com improvisadores
de diversos países e de outras regiões brasileiras, além da criação
de festivais de pajada no Estado.
Nesta rápida análise pode-se dizer que o maior conteúdo das centenas
de edições do Jornal do Nativismo está voltado para a divulgação do
sucesso dos artistas gaúchos. Há nomes hoje conceituados cujos principais
momentos de suas carreiras estão registrados nas páginas deste periódico,
o que não é mérito do jornal e sim dos próprios artistas que fizeram
por merecer os respectivos destaques.
Jornal do Nativismo tem assinantes em todos estados brasileiros e no
exterior
O Jornal do Nativismo age discretamente por que tem como filosofia cumprir
com seu propósito que é o de levar a notícia com responsabilidade para
os mais longínquos rincões. Não faz alardes nem diferencia leitores.
Trata a todos com o mesmo respeito com que dispensa à cultura gaúcha.
Assinantes que vivem no pago ou os que o deixam para se estabelecer
em outras querência são tratados com igualdade, mesmo que estes
estejam vivendo no exterior.
Este e outros motivos são a razão do porquê de haver gente que recebe
o Jornal do Nativismo em todos os estados brasileiros e cidades de outros
países. Mesmo com o site www.nativismo.com.br que leva as noticias em
tempo real, as pessoas preferem manusear o jornal impresso. Isto faz
o mapa brasileiro estar pontilhado de cidades onde há assinantes.

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