Os trovadores gaúchos atuantes no momento vivem em diversas
cidades do Rio Grande do Sul. Alguns fora do Estado, porém
representam o Pago. Geograficamente habitam todo o Estado do Rio
Grande do Sul. Encaminham-se para a trova por influência de Gildo de
Freitas e seus seguidores.
O repentista histórico é o andejo ou gaudério que surge na origem
do gaúcho (ou el gaucho). Cruza os campos em busca de lonjuras,
quando no sul da América as fronteiras são imprecisas. Até que
provem ao contrário, justifica-se sua presença em terras, hoje
brasileiras, do mesmo jeito e no mesmo período em que, em uruguaias,
argentinas e chilenas. Da mesma forma que afirma o pesquisador
argentino Abel Zabala, que o pajador constitui o arquétipo da
identidade rio-pratense, pode-se dizer que o pajador é a própria
identidade cultural do gaúcho brasileiro, muito bem retratada no
personagem Capitão Rodrigo de Érico Veríssimo, em O Tempo e o Vento.
Um dos indícios de que não se pode impor uma fronteira para o
pajador é a semelhança cultural entre gaúchos brasileiros, uruguaios
e argentinos. O próprio Martin Fierro, uma referência do cantor
gaúcho, andejo e pajadoresco, escrito por José Hernandez nestas três
nações, não identifica diferenças. Sabe-se que no ciclo do gado
chimarrão o sul da América é disputado por índios, espanhóis e
portugueses. Os cruzadores de campos vivem a cantar seus cotidianos
e passam a improvisar aleatoriamente suas vivências, tornando-se os
primeiros jornalistas xucros destes campos largos povoados por
analfabetos.
Enquanto alguns intelectuais procuram definir as fronteiras
culturais, há outros que buscam derrubá-las e encontrar as
semelhanças no sul do continente. O Brasil é um país de apenas
quinhentos anos (e o Rio Grande, de trezentos). Numa análise radical
não encontra-se uma cultura delineada e própria. Tudo está em
formação. A busca das raízes do improviso vai mais longe. "En su
ascendência lírica aparecen rapsodas y aedas griego, bardos celtas,
trovadores y troveros provenzales, segriers galaico-portugueses..."
afirma o escritor e pesquisador argentino Abel Zabala, uma das
autoridades do canto improvisado daquele país.
A pajadora argentina Marta Suint define a origem do pajador em
seu livro Guía Practica Para el Conocimiento del Payador como
anterior aos tempos de Homero, considerado o primeiro poeta grego, e
complementa: "Como antecedente literal, aparecen en las Eglogas de
Teócrito y Virgilio, contrapuntos pastoriles de la poesía provenzal,
en la mitología griega (contrapunto entre Apolo y Pan) y en lo que
sería el cimiento de la cultura Islamita. Las tribus árabes se
estabelecieron en el desierto, en la península delimitada por el Mar
Rojo, el Océano Indico y el Golfo Pérsico, decenas de siglos antes
de Cristo. Por entonces había dos classes de improvisadores: los
sayyid y los saalik (que es plural de shuluk, que quiere decir
cantor, vagabundo y salteador)."
O folclorista brasileiro Luis da Câmara Cascudo segue pela mesma
linha de pensamento em seu livro Vaqueiros e Cantadores para definir
o cantador do nordeste: "Quem é o cantador? É o descendente de Aedo
da Grécia, do rapsodo ambulante dos Helenos, do Glee-man
anglo-saxão, dos Moganís e metrís árabes, do velálica da Índia, das
runoias da Finlândia, dos bardos armoricanos, dos scalcos da
Escandinávia, dos menestréis, trovadores, mestres-cantadores da
idade-Média. Canta ele, como há séculos, a história da região e a
gesta rude do homem. É a epea grega, o barditus germano, a gesta
franca, a estória portuguesa, a xacara recordadora. É o registro, a
memória viva, o Olám dos etruscos...".
Do mesmo tronco brotam os repentistas do Rio Grande do Sul, tanto
o trovador quanto o pajador. No sul do Brasil e em nosso tempo o
pajador canta seus versos no estilo recitado e não se acompanha
musicalmente. Um músico de apoio executa a milonga para a pajada.
Segundo Alberto Juvenal de Oliveira, em seu Dicionário Gaúcho, o
pajador é aquele que recita versos de improviso. O espanhol, doutor
em filologia e catedrático da Universidade de Las Palmas de Gran
Canária, Maximiano Trapero, define o pajador com a mesma grafia em
seu livro La Décima Su História, Su Geografia e Sus Manifestaciones,
como "Poeta improvisador en Rio Grande do Sul (Brasil)." Ele também
define Pajada como "Nombre de la poesia oral improvisada em décima
en Rio Grande do Sul (Brasil)."
A diferença maior entre o pajador brasileiro e o rio-pratense não
está no surgimento desta arte para o novo mundo e sim no período de
profissionalização do pajador e nos estudos feitos sobre este tipo
artístico como um referencial nacional tanto para a Argentina quanto
para o Uruguai, enquanto para o Brasil, regional.
O primeiro pajador urbano profissional que anda pelas duas
margens do Rio da Prata é o argentino Gabino Ezeiza (19.02.1858 -
12.10.1916), por volta de 1880, conforme afirma o pajador e
pesquisador argentino Victor Di Santo em seu livro El Canto Del
Payador En El Circo Criollo.
Se lá recomeça por volta de 1880 com Gabino Ezeiza e aqui de 1958
com Jayme Caetano Braun (30.01.1924-08.07.1999), são 78 anos de uma
distância que leva os menos avisados a crer que a pajada brasileira
inexista.
Nascida da mesma fonte, há no Rio Grande do Sul a trova, forma
mais popular de improviso. Possui três estilos, Campeira (Mi Maior
de Gavetão), Martelo e Estilo Gildo de Freitas. Ela parece ter mais
legitimidade, simplesmente por que é aceita oficialmente pelo
tradicionalismo há anos, o que passa a acontecer somente em 2002 com
a pajada. A diferença entre o pajador e o trovador brasileiro está
na forma de expressão e estrutura rimática. O trovador canta seus
improvisos em estrofes de seis linhas (ABCBDB) e acompanhado por
acordeon e o pajador em décimas, por guitarra acústica (violão).
Ambos se valem de um músico de apoio. Não executam seus
instrumentos. O pajador e o trovador gaúchos possuem a mesma origem.
Muda a nomenclatura e a forma rimática. A métrica é a mesma em
heptassílabo.
Em vários países do mundo há repentistas com os mesmos anseios e
um verso a cada instante, independente do nome. Todos somam para o
movimento da poesia oral improvisada.
Alguns Repentistas: |
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Gabino Ezeiza - payador. |
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Jorge Alberto Socodatto - payador. |
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Lázaro Moreno - payador. |
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Marta Suint - payadora. |
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Roberto Ayrala - payador. |
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Suzana Repetto - payadora. |
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Victor Di Santo - payador. |
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Adão Bernardes - trovador e
pajador. |
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Albeni Carmo de Oliveira - trovador e pajador. |
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Arabi
Rodrigues - pajador. |
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Chico Vargas - trovador. |
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Crioulo Batista
- trovador e pajador. |
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Formiguinha - trovador. |
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Gildo de Freitas
- trovador. |
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Jadir Oliveira - trovador e pajador. |
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Jayme Caetano Braun - pajador. |
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José Estivalet - trovador e pajador. |
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Luiz Müller - trovador. |
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Moraezinho - trovador. |
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Pedro Jr. da Fontoura - pajador. |
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Portela Delavi - trovador. |
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Chico
Nunes - cantador. |
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Lourival Batista - cantador. |
| Patativa
de Assaré - cantador. |
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Cecilia
Astorga - payadora. |
| César
Castillo - payador. |
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Eduardo Peralta - payador. |
| Lázaro
Salgado - payador. |
| Manuel
Sanchez - payador. |
| Pedro
Yáñez - payador. |
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Alexis Diaz-Pimenta - repentista. Ernesto Ramires -
repentista. |
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Iran Caballero - repentista. |
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Manuel Garcia - repentista. |
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Geraldo Paez - poeta. |
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José Arevalo - poeta. |
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José Sotto - trovero. |
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Juan Moron - trovero. |
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Manoel Caballero - trovero. |
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Yapsis Vienes - verseador. |
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Yeray Rodrigues - verseador. |
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Mauro Chechi - cantastorie. |
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Antonio Garcia León - repentista. |
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Guillermo Vellázquez - repentista. |
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Arcadio Camaño - cantador de mejorana. |
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Antonito Vazquez - cantador de mejorana. |
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Isidro Fernandes - trovador. |
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Roberto Silva - trovador. |
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Aramis Arellano - payador. |
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Carlos Molina - payador. |
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Gustavo Guichon- payador. |
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Gabino Soza - payador. |
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José Curbelo - payador. |
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Juan Carlos Bares - payador. |
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Juan Carlos Lopez - payador. |
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Juan Nava - payador. |
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Mariela Acevedo - payadora. |
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